Peter Karoff, a perda de um amigo e líder

Por Marcos Kisil*

Peter Karoff, renomado contribuinte para o mundo da filantropia e líder empresarial em Boston, morreu em sua casa em Santa Bárbara, Califórnia no dia 9 de março. Ele tinha 79 anos. A causa da morte foi complicações do câncer de pâncreas.

Conheci Peter em 1998. Andava à volta com a ideia de criar o IDIS e passei a buscar organizações que se aproximavam daquilo que de maneira solitária estava concebendo. Peter havia fundado em 1988 The Philanthropic Initiative (TPI), uma empresa pioneira de consultoria a organizações sem fins lucrativos dedicada a aumentar o impacto da filantropia na sociedade. Tínhamos algo em comum. Eu vinha da experiência de atuar em posição de liderança na Fundação W.K. Kellogg. Ele tinha atuado como membro fundador da Fundação para o Desenvolvimento dos Afro-Americanos que viviam em áreas urbanas, em Boston. Tínhamos atuado em projetos em defesa dos direitos civis e justiça social. Éramos orientados pela ideia de combinar a riqueza de poucos com a necessidade de muitos.

Nossa primeira conversa foi inspiradora e provocadora. Contou-me sobre seus sucessos e fracassos, oportunidades e ameaças, e sobre a importância da resiliência do líder em acreditar na organização criada, e nos seus ideais. Enfim, demonstrou um grande apreço pela criação do IDIS, especialmente no universo latino americano. Apreço que se prolongaria e aprofundaria ao longo dos anos. Acreditava que o contexto americano era muito mais favorável para a criação do TPI, devido a cultura filantrópica existente, o que não ocorria na América Latina, especialmente no Brasil.
Resumindo, Peter foi de grande importância em apoiar a ideia originalmente, e nos anos seguintes na implantação do IDIS.

Durante 25 anos o TPI floresceu sob a orientação e direção de Peter, tornando-se uma das principais influências no mundo da filantropia. Trabalhando ora com doadores familiares, ora indivíduos, ora grandes fundações e corporações, Peter empregou empatia e sabedoria para alinhar metas e valores de doadores com comunidades e populações historicamente desatendidas e com projetos que buscavam elevar a condição humana através da arte e da cultura. A riqueza e a profundidade de seu compromisso com as causas progressistas refletiam sua crença fundamental no propósito ético e moral da filantropia, que ele percebeu ao longo de sua vida pessoal e profissional. O impacto do humanismo, da generosidade, da compaixão, do lirismo e do companheirismo de Peter se articulavam com sua preparação intelectual e tirocínio.

Peter frequentemente falava e escrevia sobre questões filantrópicas e sociais. Seu livro “The World We Want”, publicado em 2007 teve grande repercussão no mundo filantrópico. Deslocava as discussões então vigentes sobre os doadores para o impacto que deveria produzir em atendimento e no envolvimento dos eventuais beneficiários da doação. Tive a honra de ser um dos entrevistados por Peter para escrever o livro.

O amor de Peter pela poesia era lendário, e sua necessidade de poetizar era constante e inveterada. Ele praticou a arte ao longo de muitos anos, em discursos em todo o país e no exterior, em salas de aula em Columbia, onde recebeu um Master em poesia com 51 anos de idade, e na Tufts University, Boston Universidade e da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, onde ensinou tanto filantropia quanto poesia. Sua última aula foi um seminário de poesia no outono de 2016 intitulado “Poesia e Metáfora – Vivendo uma Vida de. . . ”

Ao longo dos anos, Peter esteve no Conselho de mais de 30 organizações sem fins lucrativos. Deixo aqui para Peter Karoff, amigo e valoroso líder de nosso setor, a minha homenagem e a do IDIS, e para tanto concluo com algumas estrofes de seu poema “If I Had More Time”

What I do what we all do is write the poem of life
You see it isn’t a matter of time but compassion
Call it community or hope or faith or call it love.
That is the floe that is the poem.

Marcos Kisil é consultor estratégico e fundador do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – IDIS.