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Zilda Arns: um exemplo de amor

14/1/2010 - O diretor-presidente do IDIS, Marcos Kisil, presta uma homenagem à médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns Neumann, que faleceu no dia 12 de janeiro, no Haiti, durante terremoto que devastou a ilha, em especial a capital Porto Príncipe. Ela fundou e coordenou nacionalmente a Pastoral da Criança e a Pastoral da Pessoa Idosa.

Neste momento de reflexão sobre o sentido da vida e da morte, que se segue à perda inesperada de uma amiga querida em circunstancias tão especiais, é imprescindível agradecer a Deus o privilégio de ter conhecido a Dra. Zilda Arns Neumann, médica pediatra e sanitarista, fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa.

Na verdade, não me lembro exatamente quando e como a conheci. Mas isso não tem a menor importância, pois a Dra. Zilda acolhia qualquer ser humano incondicionalmente e o trazia para mais perto de si muito rápido. Sua espiritualidade cristã se fazia presente em todas as suas ações. Sabia usar e disseminar o Amor Cristão.

Divulgação: A pediatra e sanitarista Zilda Arns NeumannEm 2006, o governo do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, tomou a decisão de apoiar a indicação da Dra. Zilda para o Prêmio Nobel da Paz, nomeou uma comissão especial para preparar o dossiê da candidatura. Por caminhos que desconheço como foram percorridos, fui indicado para compô-la.

Foi um privilégio ter acesso a documentos, testemunhos e experiências que demonstravam o sentido que ela deu a sua vida. Era uma verdadeira missionária da caridade virtuosa e uma testemunha da esperança na capacidade do ser humano em vencer obstáculos e conseguir a realização plena de seu potencial. Isto, graças a uma fé cristã inquebrantável. Morreu exercendo seu papel de missionária entre o povo mais sofrido, pobre e abandonado de nossa América Latina: os haitianos.

Dra. Zilda viveu testemunhando a verdade que acreditava. Tive oportunidade de estar presente em duas ocasiões em que foi homenageada: a primeira em 2002 quando foi reconhecida pela Organização Panamericana da Saúde (OPAS) como uma Heroína da Saúde Pública das Américas e, em 2007, como uma líder de mudanças sociais pelo Woodrow Wilson Center de Washington, Estados Unidos.

Nesses momentos ela não se sentia a homenageada. Acreditava que a homenagem deveria ser para aqueles pais, mães, voluntários e colaboradores que ajudaram a fazer a Pastoral da Criança uma referência mundial.

Ela foi um meio usado por Deus para algo que beneficiava a todos, especialmente as crianças que recebiam a atenção necessária para o seu crescimento e desenvolvimento. À sua caridade, esperança e fé, ela somava um comportamento humilde e servidor que definia a verdadeira líder que era. Um tipo de liderança ímpar que o Brasil e o mundo necessitam.

Num momento em que a nossa sociedade é constantemente assolada por catástrofes decorrentes de causas naturais e por desastres políticos – causados pela cobiça de poder, pela ambição desenfreada e pelo desejo egoístico de ter os mais diversos bens – pontifica o exemplo da Dra. Zilda.

Rogo a Deus que sua história de vida e o contexto de sua morte possam sensibilizar governantes e empresários a priorizar o vulnerável, o pobre e o despossuído. Isto é possível, é ser honesto e ético em nossas relações com o próximo.
 
Muito obrigado, Dra. Zilda, pelo exemplo de missionária e líder servidora que buscou um mundo de amor, de paz e com igualdade de oportunidades para toda a humanidade. Que consigamos aplicar em nossas vidas o seu legado. Esse deve ser o compromisso daqueles que crêem que é possível construir uma sociedade mais justa e sustentável.

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