Tira-dúvidas sobre voluntariado – Empresa
12/1/2010 – Confira as principais dúvidas sobre o papel da empresa em relação ao voluntariado do colaborador.
1) Como incentivar o voluntariado dentro de uma empresa?
As companhias podem incentivar seus funcionários a ser voluntários por meio de programas de voluntariado empresarial. Muito comum nos Estados Unidos, a prática passou a ganhar espaço no Brasil a partir da década de 90. Trata-se de um apoio formal que a companhia oferece a seus colaboradores que desejam doar seu tempo e habilidades para a comunidade do entorno ou em projetos socioambientais mantidos pela empresa ou de livre escolha do colaborador.
Um programa estruturado envolve esforços para o processo de mobilização de voluntários, adequação do perfil às necessidades da comunidade, capacitação, conhecimento dos seus direitos e deveres, entre outros. Ainda que não haja obrigação em lei, algumas empresas permitem ao funcionário dedicar horas mensais de seu expediente para o voluntariado – deixando de ser exclusivamente uma atividade extra trabalho formal.
A iniciativa também traz benefícios corporativos. De acordo com pesquisa da Associação de Dirigentes de Vendas e Marketing no Brasil (ADVB), realizada em 2004, 79% das 2.517 empresas pesquisadas consideram que o voluntariado melhora a imagem institucional e, para 74%, aprimora a relação com a comunidade. Em relação ao funcionário, 62% consideraram que a atividade desenvolve conhecimentos, técnicas e habilidades passíveis de proveito no trabalho cotidiano.
2) Quantas empresas possuem programas de voluntariado?
Segundo levantamento do Instituto ADVB de Responsabilidade Social, em 2008, 43% das empresas pesquisadas possuíam um programa de voluntariado estruturado que incentivava a participação dos colaboradores internos. A sondagem foi realizada com 3.243 empresas de todos os portes e de todas as regiões do Brasil.
A pesquisa ainda mostrou que a maior parte dos funcionários (70%) desenvolve suas atividades voluntárias tanto durante quanto fora do expediente, enquanto há equilíbrio entre aqueles que prestam o serviço voluntário apenas depois ou durante o trabalho formal – 15% para cada.
Como devo montar um programa de voluntariado empresarial?
O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) elaborou um roteiro para a criação e implantação de programas de voluntariado empresarial. O processo é simples:
- Forme um comitê para o programa. Ele será responsável por levantar todas as ações de voluntariado e todos os voluntários existentes no local.
- Busque o apoio e a aprovação da liderança da empresa. Após coletar e organizar as informações, discuta as diretrizes com a liderança para que se tome uma decisão sobre a política corporativa.
- Levante as necessidades da comunidade. É um passo bastante importante, pois envolve a busca por informações das organizações da sociedade civil que podem receber voluntários e o tipo de serviço que necessitam. Isso ajudará a montar o banco de dados.
- Elabore o planejamento estratégico do programa de voluntariado. Nesse ponto, o comitê define missão, visão, objetivos e valores da iniciativa (alinhados ao negócio da empresa), além da estrutura mínima para a futura gestão.
- Defina a infraestrutura necessária para operacionalizá-lo. Ou seja, escolha o departamento que será responsável pela administração e todos os recursos (humanos, financeiros e materiais) necessários para executá-lo.
- Desenvolva o plano de comunicação. Voltado aos públicos interno e externo, terá a função de divulgar a iniciativa e mobilizar os funcionários, promovendo a integração dos interesses.
- Crie mecanismos de monitoramento e avaliação. Modelos já padronizados podem ser utilizados, mas procure adequá-los às necessidades do programa.
- Estabeleça formas de reconhecimento. Reconhecer o trabalho voluntário, por meio de materiais institucionais, fortalece o clima organizacional e estimula mais pessoas a participar.
3) Qual deve ser o papel da liderança da empresa?
O presidente, ou outra liderança, tem o papel fundamental de tomar a decisão política da empresa sobre como será o programa de voluntariado, com base em todos os dados e levantamentos realizados pelo comitê. É o alto executivo quem ajuda a legitimar a iniciativa e alinhá-la ao negócio da empresa, para que passe a integrar suas atividades, não sendo apenas uma ação pontual.
4) A comunidade do entorno da empresa deve ser a única beneficiada?
Não. Pela proximidade física, a comunidade do entorno pode ser a primeira a ser beneficiada, desde que haja possibilidade de desenvolver trabalhos voluntários na região. Porém, outras localidades também podem ser favorecidas, como comunidades mais distantes – também afetados indiretamente pelo negócio – e locais onde há projetos socioambientais desenvolvidos pelas empresas ou onde o colaborador reside.
5) Devo orientar ou não os locais onde os funcionários podem ser voluntários?
Depende. A empresa pode manter um banco de dados que facilite o elo entre o colaborador voluntário e a organização, ajudando, assim, a orientar e satisfazer as necessidades de ambos. Mas isso não limita a atuação do voluntário, que terá todo o direito de aderir ou não ao programa da empresa ou desenvolver trabalhos em outros locais.
6) Qual a importância de criar um mecanismo de monitoramento e avaliação do programa?
O monitoramento e a avaliação são ferramentas de gestão primordiais para o sucesso da iniciativa. Sem eles, não é possível saber como o programa está evoluindo ou conseguindo mobilizar os funcionários. Ainda, se cada voluntário consegue dedicar o tempo suficiente, quais são os recursos utilizados, o quanto do investimento está em execução, entre outros.