Organizações sociais devem diversificar suas fontes de recursos na crise
2/6/2009 - A crise econômica atual intensificou a dificuldade das organizações da sociedade civil (OSCs) para captar recursos. As instituições, que desde meados dos anos 90, enfrentam um cenário de escassez de recursos, precisam buscar novas alternativas e diversificar suas fontes. A avaliação é de Rodrigo Alvarez, representante da Resource Alliance no Brasil, organização internacional de apoio aos captadores de recursos.
O especialista percebe que se configuram duas tendências no país. A primeira é a mobilização de indivíduos para causas, o que ainda é pouco explorado. “Quantas cartas você recebeu nos últimos dois anos para se envolver com uma causa? Nos Estados Unidos ou na Inglaterra as pessoas devem receber diversas por semana”, provoca.
Para Alvarez, o apelo ao doador individual é importante por três razões: a contribuição da pessoa física garante a autonomia ideológica da OSC; o recurso que ela doa não fica atrelado a nenhum projeto e por isso pode ser utilizado com mais liberdade, mas com responsabilidade; e, em momentos de crise, é menos arriscado ter muitos doadores que colaboram com uma pequena quantia do que poucos grandes doadores que suspendem, de uma vez só, um volume significativo das receitas. Para se ter uma referência do potencial de doação dessas pessoas, a Pesquisa IDIS, sobre o perfil do investidor social local, realizada em 2007 junto a 957 moradores dos municípios paulistas de Guarulhos, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste e São José dos Campos, mostra que os doadores destinavam, em média, R$ 207,00, em dinheiro, por ano para as organizações sociais.
A segunda tendência é a criação de produtos e serviços cuja venda reverta para as OSCs. Nesse eixo também é preciso avançar, pois muitas vezes os produtos são descolados da missão da organização. O administrador ainda considera que a crise atual é um bom período para as instituições aprenderem a lógica dos “negócios sociais”, isto é, das empresas que usam mecanismos de mercado para desenvolver suas atividades, mas com fins sociais.
Momento oportuno
O diálogo intersetorial também deve ser estimulado. Segundo Rodrigo Alvarez, é fundamental que as OSCs, o setor privado e o poder público pensem em um novo desenho para o desenvolvimento nacional, capaz de construir um país melhor para todos. “Se tivéssemos um pacto nacional para acabar com todos os problemas sociais, a gente acabava. Temos todos os recursos necessários”, pontua.
Mas isso exige uma mudança de paradigma. “As empresas ainda usam a lógica da competição, do individualismo, não da cooperação. Elas não se vêem como parte de um todo e aí as coisas ficam contraditórias.” Para ele, todos devem estar mais dispostos a dialogar. “E não é só no sentido de reparar os erros do passado, mas de projetar em conjunto o futuro que queremos viver.”
Por isso, defende que os empresários não deixem de investir em inovação e em ações que realmente desenhem um novo mundo. “As empresas precisam ser tão ousadas em termos de investimento social quanto são em seus negócios. Se todo o potencial das pessoas que estão dentro das empresas fosse canalizado para pensar e realizar soluções para um planeta melhor, poderíamos fazer verdadeiras revoluções.”